sexta-feira, 22 de julho de 2011

Entrevista - Ruben Botelho



Falamos um pouco sobre ti: 
Bem, o meu nome é Ruben Botelho, sou do centro litoral Algarvio. Fiz a minha escola em Loulé, desde a pré-primária até ao secundário, nasci em Faro em 1987, e desde essa altura, apenas interrompi a minha estadia no Algarve como residente, quando fui estudar fotografia para Lisboa, onde permaneci durante 2 anos e meio.
Agora estou de volta ao Algarve, mas com uma intenção de se possível, sair, ir para fora, aprender novas técnicas, e fotografar novas cidades, que é quase tão apelativo como sair apenas para ganhar a vida.


Como surgiu o teu interesse pela fotografia?
Aconteceu muito cedo, quando nas férias com a família pela Península Ibérica, os meus pais me pediam para os fotografar e foi assim que agarrei numa câmara pela primeira vez, com intenção de fazer uma fotografia, nessa altura devia ter uns 10/12 anos.
Muitas vezes, quando o meu pai escolhia o itinerário, eu ficava com ele, a ver as fotografias dos monumentos que existiam nos sítios que iríamos visitar e o meu pai dizia: olha é isto que tens de fotografar. A partir dessa primeira viagem, eu fotografava sempre com uma Minolta 550 (reflex), automática, nessa altura a única coisa que usava manual era o foco. Penso que sem este meu primeiro contacto hoje em dia seria designer e não fotógrafo, porque eu fotografava depois paisagens e pessoas, mãos, articulações, expressões, etc., para ter uma referência estática, daquilo que queria desenhar.
Comecei com uma objectiva de 60mm, abertura de f, 3.5, onde isolava a pessoa contra o fundo, e foi assim que descobri a profundidade de campo, e aprendi a fotografar dentro desses limites, anos depois surgiu o digital que me viciou mais e aí já me preocupava com o aspecto técnico.


O que é para ti a fotografia?
É uma questão difícil responder, mas a ideia que tenho da fotografia, é aquela ideia clássica do preto e branco, dos contrastes carregados, dos mestres da fotografia, quando a fotografia era devidamente respeitada, mas com a banalização dos média, e com a nova facilidade em se obter a imagem fotográfica, a banalização era inevitável, e cabe agora aos novos fotógrafos trazerem um pouco dessa dignidade e inovação e experimentalismo que mudaram a fotografia para sempre.
A fotografia existe em todo o lado, todos os dias somos bombardeados com centenas de informações, grande parte visual, é normal que a veja-mos e com a evolução da tecnologia, toda a gente pode fotografar.


Qual achas que é o segredo para uma boa fotografia?
Depende. O que importa é que tenha impacto, uma boa fotografia pode ser sobre muitos temas, locais, etc., mas se causar impacto, já é meio caminho para o sucesso.
Posso-te dizer que com modelos, o que interessa, mais que o modelo ser bonito, ou elegante, é o modelo ser expressivo. Se tiveres um modelo expressivo e hiperactivo já sabes que vais ter grandes fotos. Por isso, se puderes escolher o modelo, escolhe o mais expressivo e falador ao bonito e elegante. Descobri eu no primeiro ano de escola.

Qual é o tipo de fotografia que mais gostas de fazer? Porque?
Fotografia experimental e conceptual. Porque é aquela em que mais me divirto, é aquela em que consegues coisas que nunca imaginaste possíveis, trabalhar o conceito, e depois sentir o choque da realidade, com o que podes fazer realmente, e com o que imaginaste, o que terá de ser deixado à edição ou o que podes fazer directamente da máquina. 
O trabalho conceptual para mim é muito importante, porque todos os meus trabalhos menos conceptuais vão ser enriquecidos pela experiência do experimentar.

Por mim seria apenas fotógrafo experimental e conceptual, mas há que comer, e ganhar a vida, dai, também dar tanto valor a este tipo de trabalhos, que por muitas vezes são mesmo um escape à fotografia de rotina, normal.


Existe algum trabalho fotográfico em especial que tenhas feito e com que te tenhas identificado mais? Qual? E por que este?
Sim, há vários. Mas um que foi muito importante, porque foi um trabalho arrancado por mim, que tinha componente de videoclip e a sessão de fotográfica feita no cenário criado para o vídeo. Essa sessão foi uma das mais curtas que tive, estava cansado, porque foi no último dia de gravações, mas foi a que saiu melhor. Em 30 fotos apenas não gostava de 4 ou 5 e isso nunca me tinha acontecido e acho que foi um bom presságio.

Que equipamento fotográfico é utilizas?
Depende do tipo de fotos que vou fazer. Mas em todos uso a minha Canon 5D MKII com o grip e a objectiva 24-70mm f2.8. Esta é quase sempre a base dos meus trabalhos.

Quais são os fotógrafos que mais te inspiram? Porque? Há muitos! Ansel Adams, pela dedicação que tinha a tirar as suas fotografias, mas mais importante, a dedicação que tinha em editar as fotos na camera escura.
William Klein, um dos melhores fotógrafos de rua para mim.
Cartier-Bressom é claro; Benoit Paillé, pela forma como retrata as pessoas, entre outros.
Adoro a fotografia do Stanley Kubrick nos seus filmes e posso-te dizer que a nível de cenários, de manipulação da câmara no espaço e da iluminação natural, ele é das minhas maiores inspirações.

Tens algum projecto novo em vista? Podes-nos falar um pouco sobre ele?
Tenho vários. Além da fotografia, eu e equipa da NLP (newlightpictures.net/) estamos neste momento a gravar mais uma curta e a escolher e a editar as fotos da última curta que fizemos, que deve estar prestes a sair.
No que toca a trabalhosfotograficos, tenho as normais sessões, e tenho um projecto, que é muito importante para mim, que consiste em formar um grupo dinãmicomultifacetada,
estou também com um amigo a tentar criar o primeiro grupo de urbex oficial Português, mas é difícil porque são poucos os que conhecem este tipo de fotografia.


Um muito obrigado ao Ruben Botelho pelo tempo disponíbilizado para a entrevistas e por todos os concelhos sobre fotografia que ele me tem dado.

Para conheceres mais do seu trabalho trabalho visita: http://andirilien.deviantart.com/

Aqui está algum do seu trabalho:

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